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26 de agosto de 2016

Crônica: Nu artístico

Imagem meramente ilustrativa. Obra de Maxim Grunin, créditos aqui.


Eu  estava a caminho da escola em outra manhã cinza de São Paulo, o barulho do vento parecia ser mais interessante do que qualquer coisa que estava por vir. Era dia de passeio para um museu qualquer que nem me dei o trabalho de decorar o nome e não demorou muito para que eu me encontrasse rodeado de pinturas, esculturas e colagens para todos os lados. Paredes brancas com quadros pendurados acompanhados de uma breve legenda não me prendem, tão breves que nunca foram capazes de me fazer entender o que a obra significava. Eu desejava apenas sair daquele lugar o mais rápido possível. Esses eram os meus pensamentos até eu me deparar com a cena que agora eu vou descrever: um quadro de arte contemporânea que de primeira não fazia sentido para mim e, em sua frente bem grudado com a corrente que o impedia de se aproximar mais, um garoto. Baixo, pele cor de chocolate e olhos castanhos que refletiam as pinceladas coloridas para todos os lados registrados na obra. 
Muita gente por ali passava, observava o quadro por menos de um segundo e logo começava a zombar dele com a pessoa ao lado, mas aquele garoto era diferente. Não parava de encarar a pintura com um olhar tão profundo que ia além do que a visão humana poderia enxergar. A curiosidade se juntou com a fértil imaginação que tenho e me fez criar teorias do porquê de ele estar a tanto tempo encarando aquela explosão de cores. Na melhor das minhas teorias, ele apenas se viu ali. Viu seu coração, seus pensamentos e uma básica demonstração do caos que sua vida estava naquele momento. Viu sua imagem refletida em cada um dos encontros das nove cores ali presentes que o pincel proporcionou, sentiu suas dores em cada respingo de tinta espalhada naquele quadro. Cores, pingos, respingos e pinceladas ríspidas aleatoriamente para todos os cantos. Uma bagunça, assim como seu coração estava devido a cada decisão mal tomada, angústia, medo e a vontade de superar tudo aquilo. Ele se viu nu. Nu em um patrimônio público que qualquer um tinha acesso e mesmo assim ninguém parecia compreendê-lo.
Encarei a legenda que dizia apenas o nome do autor e pensei comigo: pouco diz a legenda aos olhos porque a arte já conversa com o coração.

Comente: Qual música, quadro, livro, poesia ou qualquer outro tipo de arte melhor te descreve?

23 comentários:

  1. Uau! Amei a crônica. A arte que melhor me descreve é a música, mas gosto de observar as pinturas tb

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  2. Marmeninuuu que máximo ..
    Posso falar que essa é a primeira crônica que paro realmente pra ler .

    Você abordou de um jeito diferente , li sinceridade 💖💖💖 Amo música elas me descrevem muito bdem

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  3. Você escreve muito bem, adorei a crônica! Na época de escola eu amava escrever redações, hoje em dia só tenho tempo pra escrever para o blog e trabalhos de faculdade :(

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    1. Obrigado!
      Tenta voltar a escrever, é tão bom. ♥

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  4. Amei!!!! Confesso que não paro muito pra ler crônicas mas gostei muito da sua, a forma que você escreve é tão gostosa de se ler, sabe? Bom, musicas! Musicas me descrevem de uma maneira que eu não sei nem explicar! <3

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  5. ADOREI sua crônica. Arte é exatamente isso, depende da visão de mundo de cada um, e é individual para cada repertório! Lindo

    http://publicandoblog.wixsite.com/publicando

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  6. Nuuuu. Adorei. Você escreve maravilhosamente bem. E a arte que mais me descreve é o desenho, com certeza

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  7. Nuuuu. Adorei. Você escreve maravilhosamente bem. E a arte que mais me descreve é o desenho, com certeza

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  8. Oie, tudo bem? Que texto mais incrível, você escreve muito bem. É tão bom quando conseguimos encontrar arte no dia a dia, seja na rua, na arquitetura ou mesmo nas pessoas que conhecemos. Muitas músicas me descrevem, mas aquelas dos anos 80 são as melhores rs Beijos, Érika ^-^

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  9. Amei muito o texto, mas muitas vezes não percebemos no nosso dia diferentes tipos de artes
    beijos Moda Teen

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  10. Que legal essa crônica! Como é bem escrita, você realmente tem o dom! Adoro ir a museus, acho que tudo me atrai... Acho que depende muito da obra!

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  11. Ola Bry, tudo bem? Muito legal seu post, achei bem original. Entao, normalmente eu me identifico muito com musicas, mas depende da fase. Hoje eu falaria “Fast car”, mas amanha poderia ser outra. Sabe como eh, a gente nao eh determinada coisa, a gente esta determinada coisa. Tipo, nao somos felizes, estamos felizes entende? Tudo acaba sendo passageiro, inclusive nosso estado de espirito e a forma que nos vemos. Parabens pelo post. Beijos

    http://www.verdadeescrita.com/unhas-dentes-e-suor/

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    1. Obrigado pelo comentário, que bom que gostou, Rebeca! ♥

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  12. Bry, que texto sensacional! Você tem muito talento :)

    Um beijão! <3
    Cami.

    www.delamila.com

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